segunda-feira, 27 de julho de 2009

Next Best Drug

All that I do comes back to you
So I'll just think about you til there's nothing new in my head
All I can do is try not to screw this up again and just be friends
I'd rather be dead
(Butch Walker)
*

Estar apaixonado, gostando, encantado ou afim de alguém é quase como ser dependente de drogas. Apesar de eu não usar nenhuma, tenho acreditado mais e mais nisso, pois quanto mais intenso é o sentimento, transitando crescentemente pela escala citada ali (do último ao primeiro), mais real isso me parece.

Tudo começa quando uma simples e corriqueira troca de beijos passa a fazer sentido, lá no fundinho. Quando o beijo deixa de ser um beijo para ser aquilo que traz à tona uma série de idéias perdidas, ora velhas esquecidas, ora recém-tidas. "Perdidas" no sentido de estarem desorientadas, desbalanceando o norte, "jamming the radar". Depois de toda a sequência natural desencadeada pelo beijo, volta-se para casa com aquele sentimento de plenitude, aquele frio na barriga e formigar do pés que nada diz além de "como foi legal", embora introduza o inferno que espreita e se mostra dominante à medida que as horas passam.

E é como o viciado em heroína, que se sente completo no momento em que injeta uma dose em suas veias e faz com que o mundo inteiro ao seu redor pare. Os problemas não mais existem, o mundo não mais é um lugar ruim, contanto que a droga esteja em seu sistema, atuando, fazendo seu efeito. E quando ela cessa de o fazer "bem" e passa a fazer mal, o vazio toma conta e traz consigo a necessidade de mais uma dose. Só mais uma. Ele jura que para depois dessa. E ele perde o sono enquanto não a tem. E ele não consegue tirá-la da cabeça. E ele tenta se destrair, se ocupar com outras coisas, com as coisas que devem ocupá-lo diariamente. Mas ela fica ali, rondando, povoando sua mente, traduzida no desejo de querer mais, de precisar de mais. Afinal, foi bom com ela e tudo que é bom merece reprise. E sem ela tudo passa a parecer mais e mais sem cor, conforme os dias vão indo embora. E a espera quase o mata. A impossibilidade de colocar data e hora em uma próxima vez acaba com ele aos poucos. E não deveria ser tão complicado, afinal ele só quer mais uma dose... "One more fix"... Só que sempre é.

E quando ele finalmente tem a próxima dose, repete-se o ciclo. O tempo, porém, apresenta a diferença. Ele se torna mais curto para a tolerância do quanto ele aguenta sem ela. E ela povoa a mente dele ocupando ainda mais espaço, tirando o sono, invadindo sonhos, atrapalhando a tranquilidade. Deixa ele sem ar, o impossibilita de reconhecer outros rostos na rua, pois só vê o dela. E prende a respiração e pula de cabeça nesse mar revolto, de onde nem tem tanta certeza se sairá vivo. Prende a respiração e estende a mão, na esperança de que ela corresponda e lhe dê mais uma dose. Isso se ela der. Em muitos casos, perde-se o fôlego e morre-se afogado antes mesmo da segunda dose, pois aquilo sempre fez mais sentido para ele e somente para ele.

É. Gostar de alguém é uma m...

I need my next fix...

*Tradução: Tudo que faço acaba em você, então vou pensar em você até não ter mais nada em minha cabeça. Tudo que posso fazer é tentar não estragar tudo de novo e voltar a ser só amigo. Prefiro morrer.

4 comentários:

Ana Monteiro disse...

Intenso e muito bom

deb disse...

nossa... a trafi nao ta te vendendo com tanta frequencia?? ehehehe


adorei o texto!!!

Nina disse...

Que romantiquinho que tu anda hein LF...
:-)

Saudade de ti.
Beijo.

minimus disse...

tô contigo e não abro!