quarta-feira, 14 de novembro de 2007

A Máquina Criadora de Sonhos



Quantas vezes não ficamos tristes, ou no mínimo chateados, quando uma coisa pela qual tanto esperamos, ao ser confrontada com a cruel realidade nem era “tudo aquilo”. Certa vez li no blog do Luis uma frase que dizia que “uma das grandes verdades da vida era que TUDO era capaz de nos decepcionar” – isso mesmo com garrafais letras maiúsculas. Aquilo ficou na minha cabeça e fiquei alguns minutos refletindo sobre tal afirmação. Não tive como não pensar na lógica envolvida nesta “matemática da decepção” - quem seriam os divisores quem eram os dividendos desta equação?
Trocando em miúdos: será que não teriamos nossa parcela de culpa nesta história toda? É fato que vivemos em uma sociedade muito visual e sedutora, onde cada lar possui pelo menos uma máquina criadora de sonhos. É fato também que, através deste fabuloso aparelho, somos apresentados a diversas coisas, as quais aprendemos a amar e a idolotrar – seja uma celebridade qualquer ou um produto sem o qual nossas vidas não teriam graça, ou sem os quais ficariamos de fora da “onda do momento”.
Penso, contudo, que ao depositarmos uma grande expectativa sobre algo ou alguém, estamos nos dispondo a correr o risco da frustração, ou seja, a nossa capacidade de idealizar as coisas é diretamente proporcional ao risco que corremos de que estas não correspondam a imagem que delas criamos. Assim, muitos namoros acabam, muitas séries de TV são abandonadas, muitas famílias se desfazem, muitas sociedades sucumbem, muitos livros viram alimento de traça e por aí vai.
Não quero, contudo, propor aqui que deixemos nossas expectativas de lado e que vivamos num “deixar rolar pra ver no que dá”, até por que não creio na possibilidade de “deixar rolar eterno” – uma hora isso cansa. O que gostaria de chamar atenção aqui é que o objeto de nossa devoção nada mais é do que o resultado da projeção de nossas expectativas sobre uma vítima qualquer – seja esta uma coisa ou uma pessoa – que, muitas vezes, nada nos prometeu. Este poder é tão forte que não existe criatura viva neste mundo – ou em qualquer lugar que se tenha notícia – que possa ser maior ou mais vigoroso que a capacidade que o ser humano tem de idealizar, de fantasiar, de sonhar.
Resultado da equação: viajar ao mundo fantástico dos sonhos é muito prazeroso, mas manter pelo menos um dos pés no mundo real é questão de sobrevivência.

3 comentários:

minimus disse...

amém.. ;)

L. F. Volkweis Filho disse...

A bicha do minimus fez o comentário que eu ia fazer... =/

Anônimo disse...

Muito bom o texto!!
Ana R.