sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Sementinha do Hitler



Tento adotar uma filosofia de ver as coisas com bom humor e otimismo – aquele papo clichê sobre copo “metade-cheio”, sabe -, mas existem algumas coisas ante as quais não tem como, no mínimo, não ficar um pouco desapontado. Uma delas, pra mim, ocorre quando vejo os vendedores ambulantes tendo que fugir e fazer códigos mudos para safar seus colegas – por que, de forma geral, trata-se de uma categoria unida. O mais triste nesta história toda é que, se uma utópica ação realmente fosse eficaz contra o comércio informal e este fosse banido do Brasil efetivamente, os índices de desemprego subiriam até as nuvens e, nem preciso dizer, que a criminalidade e o caos social disputariam esta corrida nariz a nariz.
Percebam como a controvérsia poética dos fatos interliga tudo afinal. Uma recente “mania cinematográfica tupiniquim” (ia usar o termo “filme da moda”, mas não quero ter que pagar “royalites” [risos] ), além de popularizar o linguajar dos donos dos morros cariocas, povoar as festas “pops” com bondes funks (com nomes de todos animais e objetos imagináveis) e virar assunto nas mais diversas facetas midáticas da atualidade, também levantou a lebre do abuso da “pirataria” em nosso país.
Não sei quanto aos amigos leitores mas, na minha singela opinião, torna-se muito conveniente quando um filme, cujo tema toca em questões referentes à “ilegalidade” e a “marginalidade”, tem sua maior divulgação através de uma ação ilegal que se dá às margens da sociedade (isso mesmo, margens, mesmo que estas sejam cada vez mais largas, ainda podem ser chamadas assim). Vejam vocês que belo quadro: pintam no filme uma equipe de superagentes – uma “SWAT” tropical – que não tolera corrupção de forma alguma e nenhum tipo de “pecado sujo e capitalista” e esta produção torna-se sucesso indiscutível justamente através de um “vazamento” no meios de comércio informal (um “pecadinho levezinho", mas ainda assim "sujinho"). Uma incrível coincidência irônica. Será?!
Não quero aqui criar teorias conspiratórias aferindo que os próprios produtores do filme plantaram a “sementinha do mal”, mas que sua equipe de marketing a regou e adubou direitinho, disso não restam dúvidas.

2 comentários:

deb disse...

nascimento gostosooooooooo!!

até com esse bigode eu como!!!!!!

hauhauhau!!

L. F. Volkweis Filho disse...

Acho a pirataria um treco LINDO.
Quando é de graça, claro. Pagar pro troço pirata já é burrice.

Mas a pirataria gratuita é a verdadeira manifestação do amor.

Pensem sobre isso. =P